Ê vida besta!


A glorious day.

Para ler ouvindo "Paranoid Android" do Radiohead.

Aquele dia começou muito bem.
Começou com o sorriso lindo dela e com felicidade dos dias anteriores.

Quanto mais eu chegava perto de lá mais meu coração batia forte. Até que estava lá. Era o começo de um sonho. 17:15 do dia 22 de Março de 2009.

Começou com os Hermanos e seu sempre emocionante show. Primeiras emoções. Primeiras lágrimas de alegria.

Até que fui invadido por sons eletrônicos dos quais eu tenho conhecimento desde minha infância. Momento histórico.

E foi com esse mesmo tipo de som, porém mais atual, que se iniciou a profunda sensação de alegria. A quinze passos da felicidade eu me encontrava e até ela cheguei por algumas horas.

O show do Radiohead começa com a música de abertura de "In Rainbows", o que já era de se esperar. Todos cantam junto felizes. O palco começa a dar sinais dos grandes efeitos de luz que viriam pela noite, mas ainda de forma contida.
Na sequência eles tocam "There There", o primeiro single de "Hail To The Thief" e nesse momento eu já havia alcançado a felicidade e estava de mãos dadas com ela.
"The National Anthem" é explosiva. Cores vibrantes e fortes pulsam ao ritmo das batidas de Phil e do baixo de Colin.
"All I Need" dá uma acalmada no clima. Mais uma do novo álbum.
Ao piano, Thom toca os primeiros acordes de "Pyramid Song" que Johnny toca guitarra com arco de violino ao estilo Sigur Rós.
Vem então o primeiro hino da noite. "Karma Police" é cantada a plenos pulmões por todos em volta.
Quando a música termina o povo entoa os versos:

"... for a minute there
i lost myself
i lost myself..."

Ed e Colin parecem impressionados e incentivam o coro do público.
Depois desse grande apelo emocional, chega a primeira música que me deixa com os olhos mareados. "Nude" mesmo sem os overdubs de voz de estúdio continua perfeita. Thom tem uma voz linda naquele momente. Única.
“Weird fishes/ Arpeggi” é a próxima, repetindo a sequencia do disco. Bela!
Sons elêtronicos voltam em “The gloaming” numa versão um pouco mais acelerada e com batidas mais fortes.
Do nada eles retornam ás raízes com “Talk show host” que causa surpresa em alguns. Essa é tocada numa versão bem mais modernizada com a inclusão de sintetizadores orquestrados por Johnny.
"Kid A" novamente entra em cena com “Optimistic” e é seguida pela acústica “Faust arp” tocada apenas por Thom e um tímido Johnny.
Outro momento de grande emoção: “Jigsaw falling into place” a minha preferida do último disco. Tocada perfeitamente e com interpretação vibrante de Thom que está tão a vontade que nem parece ele.
Mais um momento "OK Computer": “Climbing up the walls”. Outro show de iluminação.
Na sequência, alguns minutos de êxtase coletivo com a execução de “Exit music” onde o público fica quase que totalmente em silêncio para ouvir as palavras de Thom e os acordes do violão. Inesquecível.
“Bodysnatchers” traz a tona a veia rockeira e muitos sacodem a cabeça nessa hora frenéticamente junto com a bateria inquieta de Phil.
Eis um primeiro "final".
Eles retornam ao palco com "Videotape" que Thom diz ser sua preferida em "In Rainbows".
Até que se chega em mais um momento de êxtase. “Paranoid android” é cantada sílaba por sílaba pelos fãs incrédulos de que realmente estejam vendo aquilo no palco acontecer. Todas as nuances da música são sentidas por cada parte da minha pele. O prazer coletivo é tanto que ao final da música o público repete:

"... rain down, rain down
oh come on rain down on me
from a great height
from a great height height..."

Nisso o inesperado acontece e Thom pega o violão e acompanha a multidão emocionada cantando na primeira voz:

"That's it, sir
You're leaving
The crackle of pigskin
The dust and the screaming
The yuppies networking
The panic, the vomit
The panic, the vomit
God loves his children
God loves his children, yeah!"

O púbico já estava ganho e de mãos atadas e mesmo assim eles entoam "Fake Plastic Trees" parecendo que de propósito para ver qual coração que aguenta.
Como se isso não bastasse ainda tocam "Lucky" a seguir, o que causa um banho de lágrimas naqueles que ainda não estavam em prantos na canção anterior.
Depois de se cansarem em testar as emoções das pessoas eles tocam “Reckoner” que é impressionante na voz de Thom.
Mais um final.
Retornam com aquele que seria o último bis com a semi-reggae "House Of Cards", a música que faltava para completar "In Rainbows".
Thom começa a tocar "You And Whose Army" ao piano com uma câmera em sua face de forma sarcástica e brinca com o público pelo telão. Momento descontração. Grande Música.
Tocam então o final que era esperado por muitos: “Everything In Its Right Place” com Thom no órgão e Ed nos sintetizadores. Loops e Overdubs penetram as cabeças de todos e principalmente a minha. Tinha sido lindo até então.
Mais um final que parecia ser o último.
Porém o dia que havia começado bem termina perfeito. Eles retornam para um inesperado terceiro bis para apenas uma música. Aquela que tanto me toca, que é meu hino pessoal: "Creep". Meu coração já não se aguenta de felicidade e as lágrimas rolam fácil pelo meu rosto. A voz já não sai por causa dos soluços. E eu contemplo abismado aqueles últimos segundos do sonho real. Fico paralisado ainda por uns dois minutos após o fim. Era hora de voltar a vida real.

A seguir algumas imagens desse dia glorioso.

 

P.S.: Este post é para Teila que além de me cobrar em falar como foi o show (rs), foi uma pessoa que fez com que esse fosse um final de semana perfeito. Te adoro sua chata que me deixa só... rs



Escrito por Vinicios Savio às 05h43
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Sensações.

Para ler ouvindo "See Me, Feel Me" do The Who.

Somos seres feitos de sensações.
A todo instante experimentamos ondas e ondas de fluidos de sensações que são percebidas por todas as mínimas partes de nossos corpos.

Algumas passam desapercebidas como uma leve coceira na ponta de um dos dedos dos pés ou como o pulsar do sangue no seu pulso. Coisas que só se sentem quando você está focado a senti-las.

Algumas sensações são fortes e abruptas como bater a canela naquela porcaria do canto do sofá ou levar um susto com algum estrondo de qualquer espécie.

Algumas sensações se têm quando você as quer sentir. Como a sensação de um sorvete do sabor que você mais gosta derretendo no calor da sua língua. Ou quando você apenas ouve uma música que te toca tão fundo que faz com que seus olhos encham-se de lágrimas algumas vezes de alegria e outras de tristeza.

Têm sensações que você não esquece. É assim a parir da primeira vez que se tem um orgasmo. A partir daí você quer sentir isso mais e mais vezes.

Existem coisas parecidas que causam sensações diferentes. Um beijo por exemplo. O beijo dado em uma noite de curtição tem um efeito diferente de um beijo dado em uma noite assistindo um filme e comendo pipoca com alguém especial naquele momento e não é só por causa do gosto da pipoca na boca. Sensações compartilhadas, como o beijo, entre duas pessoas têm sua intensidade vinculada àqueles que as compartilham. Se sente em um abraço o quão verdadeiro é este ato entre duas pessoas pela força do enlace dos membros superiores, pelo calor do corpo oposto, pelo pulsar no peito ou até por um estremecimento de qualquer tipo.

Sensações, acima de tudo, são diferentes dos sentimentos. Sensações são mais compreensíveis. Sensações são para se compreender.



Escrito por Vinicios Savio às 03h52
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Esperando

Para ler ouvindo "I'm Waiting For The Man" com o Belle And Sebastian

Ando esperando por coisas que não vão acontecer se eu continuar a esperar. Mas quem não faz isso?
Como é difícil ter determinação!
Mas é necessário.

Ás vezes eu dou um jeito de complicar o que é simples. Sem motivo e sem perceber na hora.

***

Tenho que falar sobre "The BBC Sessions" e da banda que o lançou, o Belle And Sebastian.

Essa é uma banda que eu fui ouvir tarde, apesar de sempre ler sobre ela em revistas. Soube da existência dela lá por 1999 mas só comecei a escutar em meados de 2002. Me encantou a delicadeza das melodias e a acertividade das letras. Um clima, retrô moderno se é que pode existir tal coisa, estava em álbuns como "Tigermilk" e "Storytelling" que são estranhamente perfeitos.
Aí em seguida eles lançam "Dear Catastrophe Waitress" já com dois integrantes a menos na banda e uma mudança sonora grande. As músicas ainda eram boas, só que agora estavam mais alegres e tecnicamente mais arranjadas.
O problema é que se perdeu um pouco da melancolia que havia nos discos anteriores. A doce e linda melancolia de canções como "I Don't Love Anyone".
É aí que entra o "The BBC Sessions", pois ele foi gravado durante essa primeira fase da banda. A edição com dois discos traz no primeiro as versões das músicas que eles fizeram na rádio BBC de Londres.
Algumas com arranjos diferentes e outras idênticas ás que estão no álbum. Destaque para a faixa "Lazy Jane" que difere da original por ser mais lenta, porém surpreendendo no final, e para "The Magic of a Kind Word", "Nothing In The Silence", "Shoot The Sexual Athlete" e "(My Girl’s Got) Miraculous Technique" que não tinham sido lançadas oficialmente até então e que não deixam absolutamente nada a dever ás músicas daquela fase.
Agora surpreendente mesmo é o CD bonus. Gravado ao vivo em Belfast num show de natal. Eu já tinha uma idéia do que a banda era ao vivo pelos vídeos no You Tube e pelo DVD "Fans Only" e sempre senti a simpatia nesses vídeos. Mas este CD transcende a simpatia. A banda toca as músicas perfeitamente e com uma energia e vibração positiva que fica explícita em todas as 12 faixas. Ponto alto: "I'm Waiting for the Man", cover do Velvet Underground que ficou com uma energia imensa! Fora a belíssima versão de "Here Comes The Sun". O entrosamento da banda é perceptível pelas brincadeiras que eles fazem. Fora que eles conseguem ter o público nas mãos.
Emfim, este é um álbum para se lembrar de um passado não muito distante mas que já traz nostalgia.



Escrito por Vinicios Savio às 22h26
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