Getting older
Para ler ouvindo "Don't Watch Me Dancing" do Little Joy É estranho como já sinto o peso do tempo em mim. Não deveria. Afinal não sou tão velho assim. Mas quando eu tenho que forçar a minha vista para enxergar o que está longe, ou quando penso que ainda não fiz nada que me faça ser lembrado no futuro, ou quando percebo que ainda não vivi nada do que muitos da minha idade viveram, aí eu não consigo chegar a outra constatação que não a de que realmente estou velho. Talvez a minha velhice seja uma velhice mais interior do que exterior. Talvez as coisas que eu vi e vivi me envelheceram. Mais as que eu vi do que as que eu vivi. Porque infelizmente eu sou um observador. Um voyeur fetichista dos prazeres, dos amores, das dores, dos rancores dos outros. E cada vez menos tenho vontade de viver por mim mesmo, porque os seres humanos são previsíveis e pelo que observo eu já sei o que vai dar em cada uma das coisas que eu penso em arriscar. Não importa o resultado ser bom ou mal. O que importa é que não existe mistério e aí as coisas se tornam sem graça. Mas o que será que poderia reacender a chama do desconhecido em mim?
Escrito por Vinicios Savio às 01h37
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